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Polução

Posted by on jul 19, 2013 in Blog, Contos

Tivera polução durante a noite, mas não recordava o sonho que o fizera melar sem coito. Lembrava sim do momento em que não se esforçou em nada para impedir o fluxo explosivo, se é que haveria algum controle dormindo. Não levantou para se lavar, mesmo tendo vaga consciência do ocorrido. Essa reação física involuntária normalmente o acometia quando, nos dias anteriores, passava muito tempo maquinando novas conquistas e formas de abordar e adular as mulheres. Há muito seu pai dizia para ele optar por uma vida monogâmica, mas isso ainda lhe causava certo desconforto. Julgava que essa postura de conquistador era consequência direta de uma mídia que sobrecarregava as pessoas de mensagens relacionadas ao sexo e usava nas propagandas de quase todos os produtos mulheres atraente com atributos vultuosos. Era uma tendência da geração, que parecia mais apelativa a cada dia. Assim sua culpa em pensar nisso mais do que supunha ser normal atenuava-se. Era um rapaz novo, haveria de mudar, de ter preocupações maiores, mais dignas de um ser humano ilibado. Quem sabe até seria um grande homem! Mas logo sua feição descontraída se desfez, e pensou que nunca atingiria o status de grande se continuasse com esses pensamentos pequenos e desimportantes para a evolução espiritual e intelectual. Mas era sábado, a evolução que esperasse mais um pouco, hoje tentaria a sorte nesse país da balbúrdia. Esperou chegar a noite e fez o melhor que pôde pra se mostrar apresentável. Resolveu pegar uma balada leve, essa coisa meio lounge, chique, moderna, descolada, que dá pra conhecer novas pessoas, conversar. Quem sabe a noite não lhe reservaria algo especial. Uma névoa cobria as ruas e um clima quase frio se fazia presente. O calor de outro corpo, isso sim seria o ápice, vontade, ambos envolvidos. Esse quase frio duraria até a primeira dose de vodka, quiçá até sentisse calor, junto com ela, que possivelmente conhecerá nessa noite de julho, férias, casas noturnas cheias, tempo de renovar. Sentia-se confiante. Como é bom ser livre. Ser livre, desimpedido e estar aberto. Estar aberto para novas conquistas, oportunidades. Dizem que o melhor de tudo é amar de verdade. Construir junto. Mas ser livre e bem resolvido deve estar quase empatado com amar de verdade. Mas afinal o que sabia ele da vida? Era só um moleque, as indagações existenciais que ficassem pra ressaca do dia seguinte, amenizada com o santo remédio Engov. Dizem que quando se espera demais de uma noite, o mais provável é terminar sozinho, frustrado. As noites mais despretensiosas são as que reservam as verdadeiras surpresas, aquelas dignas de serem guardadas como um segredo triunfal para não despertar a inveja inevitável dos que de repente até tentassem se esforçar para não senti-la. Digo “seriam” porque essas noites são exatamente aquelas que no dia seguinte as pessoas, ainda roucas e de ressaca, contam tudo pro melhor amigo. Portanto se esforçara...

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Os pássaros e a criança

Posted by on jul 19, 2013 in Blog, Contos

A moça que trabalha lá em casa não é de muitos dizeres, o que é desculpável vindo de alguém com sua história de vida. Seu silêncio passivo soa como uma auto defesa involuntária e inútil de uma presa aguardando a compaixão de um predador indeciso. Com muitos anos de casa ela adquiriu admirável personalidade no jeito discreto de tratar e um papel fundamental no cuidado de dois homens residentes, pai e filho. Meu sentimento com relação a essa moça é praticamente o mesmo que reservo aos meus familiares, pudera, já se vão mais de quinze anos de convivência. Essa moça tem lá os seus cinquenta anos, sofre com dores nas costas, e veio do nordeste sem perspectiva nenhuma e com filho nos braços. Pode-se dizer que é uma vencedora, pois leva uma vida digna, mesmo ainda não tendo conseguido comprar a casa própria. Casou o filho, e cuida de outros parentes, Em quinze anos não me recordo de nenhum atraso ou falta. Ela acorda antes das seis. A cumplicidade entre nossos problemas e conquistas é grande, mesmo que inconscientemente mantenhamos a distância que é de se esperar entre empregado e filho de empregador. Como a vez em que ela caiu num trote de sequestro por telefone. Acreditou que era a irmã sendo sequestrada do outro lado da linha, literalmente caiu no chão em prantos. Liguei na hora para um policial amigo meu e ele explicou que é um golpe recorrente aplicado por pessoas que muitas vezes estão dentro da prisão. Até ela acreditar nisso e desligar o telefone foi um transtorno psicológico grande para nós dois. Ou também da vez que eu tive desidratação total e desmaiei nu na frente dela, depois de quase não conseguir abrir a porta do banheiro. Quando acontecem coisas boas também dividimos a alegria, sempre que alguém da família aparece na TV ela assiste conosco, ou quando alguém lança um CD ou escreve um livro, fazemos questão de dividir tudo isso. Quando volto de alguma viagem percebo que sinto saudades dela também, afinal o bem estar que ela proporciona há tanto tempo se tornou fundamental. Certo dia ela olhava algo pela janela da sala. E perguntou se eu já tinha reparado que no prédio da frente havia plantas onde os passarinhos pousavam e também bebiam água de um bebedor. Eu disse que não tinha reparado ainda, e a partir dali comecei também acompanhar todo dia um pouco esses episódios, normalmente matutinos. Fiquei imaginando a importância desses detalhes que passam despercebidos, e que não dependem de instrução nenhuma para causar encantamento. Não me recordo de outra vez que ela tenha me chamado atenção para algo tão poético. Dias depois também meu pai me chamou a atenção que no mesmo andar dos pássaros nasceu um bebê, e o pai, ou o avô, sempre ficava segurando-o perto da janela. Passei também a acompanhar o crescimento da criança...

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Nossa União

Posted by on jul 19, 2013 in Blog, Contos

TUDO EM VÃO! DIGA QUE NÃO FOI É UMA PENA, MAS TUDO SAIU DO CONTROLE ACABOU! EU SEI QUE NÃO VOU VOLTAR AGORA FAREI ISSO POR NÓS NOS CEGOU A MÁGOU QUE CONSEGUIU DESTRUIR NOSSA UNIÃO. *Agora leiam o poema de baixo para cima.

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Mel

Posted by on jul 19, 2013 in Blog, Contos

Houve uma gota que nunca esqueci. Uma gota de saliva de um beijo apaixonado. Um pingo que brilhava mais forte, fruto de uma salivação não controlada. Eu era uma criança da quinta série de um colégio pequeno, uma criança normal, queria brincar e esperava com ansiedade a hora do recreio e a da saída. Não que eu fosse um mau aluno, mas a relação com os colegas era (e quase sempre foi) mais interessantes do que as travadas em sala de aula. Muito me despertava atenção a relação que os meninos mais velhos tinham com as garotas, a forma de cumprimentarem, a abordagem, as brincadeiras, um mundo que a mim parecia proibido e perigoso. Mais tarde descobriria que não estava totalmente errado. Sempre há os que chamam mais a atenção de todos, cada um por sua peculiaridade. Mas na beleza e no trato com a vida havia particularmente um casal (não que fossem um casal, mas por ser um homem e uma mulher) que me despertava muito a atenção. Ele era moreno, e mais corpulento que os demais da turma, diziam que era campeão da modalidade esportiva que praticava e colecionava troféus. Ela era, e ainda é, o sonho de qualquer homem. Loira, linda, esbelta e rosto de boneca. Aquele tipo de beleza incontestável, a que qualquer pessoa que se opusesse e empregasse o jargão “gosto não se discute” seria corretamente tachada de invejosa ou de contrariar por birra. Mais tarde, como era de se esperar, tornou-se atriz de sucesso. Eu, sentado, absorto em meus pensamentos infantis, com a mochila nas costas, pronto para ir embora, pensando nos brinquedos que me esperavam em casa, vivendo, estando, já em modo de ação, como foram deixados quando da última vez brincados, um presente parado, uma história deixada de lado, pronta para continuar, vívida e vivida do jeito que o pensamento gerenciou os movimentos daqueles meus pertences no momento em questão. A sede dele em dar aquele beijo de despedida nela foi tamanha que da boca dele escapuliu uma considerável gota de saliva que pousou em minha coxa direita, justo quando eu assistia de baixo, sentado com as pernas cruzadas aquelas duas cabeças tamparem a luz ao irem de encontro uma com a outra, e é engraçado como as coisas do amor se interpõem sobre às de criança aos poucos. Lembro que a sensação pós-gotejo foi de um nojo que eu não deveria sentir, junto com um sentimento de recompensa, por estar ali naquele momento mágico e hoje vejo como um claro sinal. Um sinal do caminho que eu ainda iria percorrer, se mais ou menos que eles não importa, mas sinuosamente similar, de pecados, vaidades, medos e das maiores alegrias. De feitiços, magias e maus olhados. Do jeito que o ser humano tem, fez e se faz, capaz. De tudo. De ser feliz, de dar, e dar o melhor ou o...

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Gustavo – O conto

Posted by on jul 19, 2013 in Blog, Contos

Reconheci por completo o verdadeiro sentido dessa força que nos une e ao mesmo tempo nos afasta, mas mesmo assim faz-nos sempre querer tornarmo-nos especiais ou peculiares, pros outros e pra nós mesmos. É tão óbvio e parte da intuição que não conseguimos descrever, essa energia vital que existe no mundo, e faz reconhecermo-nos em nossos semelhantes. Foi no banco de uma praça, de pernas cruzadas, num dia de outono, depois de ter lido as últimas notícias no impresso diário; divagava em pensamentos duvidosos e relutantes quanto ao curso do drama humano e quanto ao meu próprio; pensava nas muitas pessoas que passaram em minha vida, as mais importantes apareciam com o rosto conservado da adolescência, mesmo que hoje fossem velhas, se é que estavam vivas. Lembranças. Agradáveis até. Tive também muitos animais domésticos memoráveis, me espanta até hoje o afeto que eles podem nos proporcionar, e quanto à lealdade, são únicos . As pessoas menos importantes vieram depois em lembranças misturadas, rostos disformes de tempos que não consigo datar. Conheci muita gente, primeiro devido à minha família, que era grande e festeira, e depois devido ao meu primeiro e único emprego de professor de biologia. Descobri como ganhar dinheiro muito cedo, e como gastar também. Ainda estava com a publicação em punho naquela tarde, quando sentou alguém ao meu lado no tal banco. Dei aquela rápida olhada para o lado direito, e imediatamente meus sentidos reconheceram um rosto conhecido. Percebi que para quem olhasse aquela cena de fora, naquela fração de segundo, assim como o dono da face que eu julgava conhecer e cruzou meu olhar no dito naco de momento, perceberia em minha expressão amuada uma pseudo-posse de um banco público por uso antecipado, e uma expressão de rispidez talvez digna de quem devotou grande parte da existência à busca desenfreada pelo saber, seguida por um desarmamento nos músculos faciais que deu espaço a uma expressão sem exageros de surpresa. -Gustavo? – eu disse, agora na desvantagem da incerteza. – Não, não. Respondeu o homem que não era o Gustavo sem aparentar ter-se importado com minha confusão. E seguiu dizendo oportunamente se eu a propósito poderia emprestar-lhe o jornal que agora repousava em meu colo. Consenti e pedi desculpas por tê-lo confundido. Olhei para o lado e vi crianças dando pipocas para pombas e agora minhas mãos pareciam grandes e eu não encontrava lugar para colocá-las, o mesmo acontecia com meu olhar, que agora parecia algo sólido, como as mãos. Enquanto o homem que não era o Gustavo lia as notícias da primeira página, com a expressão tranqüila típica das pessoas bem-resolvidas ou das ignorantes, relatei para ele a impressionante semelhança física que ele dividia com meu amigo de infância, o Gustavo, o qual não via à muito tempo. O mesmo bigodinho de espadachim e cabelos escuros no ombro e encaracolados, estilo D´artagnan. Eu estava pasmo com...

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Chatos Virtuais

Posted by on jul 19, 2013 in Blog, Contos

Somos tão pequenos. Ante a história como um todo somos quase nada. E cada um alimenta sua crença particular para tentar encontrar um sentido para esse fato inquestionável. Ainda assim, muitas vezes nos sentimos grandes, enormes e importantíssimos para o funcionamento da engrenagem geral. Esses sentimentos antagônicos fazem parte da gente, e tentar domá-los é tarefa trabalhosa pra vida inteira. Contudo, observamos muitos de nossos semelhantes difundindo suas verdades pessoais como se fosse um consenso absoluto da humanidade. É evidente que com a difusão das redes sociais isso ficou mais exacerbado e constrangedor. Tenho acompanhado algumas redes sociais, principalmente o facebook, e muitas vezes tenho vontade de não ser mais integrante, pelo simples fato de não haver nenhuma peneira do que pode ser postado. Na verdade o que me incomoda mesmo é o tamanho do ego de algumas pessoas, que tentam impor suas opiniões de qualquer maneira. A ferramenta das redes sociais, pode ter um uso maravilhoso, de debates responsáveis, de difusão de um trabalho, de disseminação da alta cultura, do compartilhamento de vídeos e textos interessantes e não esquencendo o fato de termos sempre um tipo de contato com as pessoas que conhecemos. Mas estamos sujeitos a ler o que “der na telha” dessas pessoas que temos adicionadas na nossa página. É tão bom acordar e ver um vídeo de música ótimo que um grande amigo postou, ou em qualquer momento do dia ler uma frase engrandecedora que parece que foi escrita especialmente para nós. Mas sempre tem uma alma mais confusa, um alguém ainda verde com o ego inflado, ou que desviou-se do caminho por determinado motivo, talvez até pela (má)formação familiar e escolar, que insiste em postar opiniões esdrúxulas, muitas vezes de forma irresponsável e grosseira ou usar a rede social como diário. Do alto de sua pequenez fulano posta para 742 amigos lerem que maionese com batata frita é tudo de bom ou que viu um filme da sessão da tarde e riu muito na companhia de seu cachorro. Pior quando alguém quer escrever ou comentar sobre algo que não entende nada, como acontece no caso da política. Mas sempre há uma saída… Na verdade pra isso existe o blog, que é um lugar que escrevemos o que queremos e as pessoas já entram sabendo que lá estão nossas opiniões mais profundas e portanto elas tem a possibilidade de escolha. Existem outras saídas, no caso do facebook existe o ocultar, descobri esses dias. É simples: leu um post que você julga improcedente, clique num “x” que tem do lado direito do post e aparecerá “ocultar essa pessoa”, aí é só clicar e ter paz virtual. Preciso aprender a desocultar agora, porque acabei ocultando muita gente, e afinal as pessoas se redimem, evoluem, quem sabe elas já não entenderam isso que descrevi. Oração. Que as divindades iluminem nossos caminhos errantes e nos mostre através de nossos...

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